Thursday, 19 March 2015

19 de Março

Se não tivesse um lembrete no telemóvel, acho que não me teria lembrado que hoje é o Dia do Pai.
Na Holanda celebra-se em Junho e é essa data que agora tenho em mente. Devido à Maria. Porque será a data que ela vai conhecer, em que fará desenhos e  afins na creche para oferecer ao Pai.
O 19 de Março tenho que manter em mente só para minha referência, para ligar ao meu Pai e dar-lhe um Olá especial.
Ah, e também faz hoje 3 anos que me mudei para a Holanda.
Uau, tanta coisa que já aconteceu em 3 anos! Pelo meio conta-se 2 moradas em cidades diferentes, 3 empregos, 4 cirurgias ao nariz, 1 filha, 2 bicicletas (1 roubada). Visitas de família e amigos... já perdi a conta!
Parece-me um balanço positivo :)

Wednesday, 4 March 2015

Mãe e profissional

Eu tinha um plano para quando voltasse a trabalhar. Um plano baseado na suposição de que, nesta empresa, também seriam flexíveis com o horário de trabalho, à semelhança do que acontecia nas outras duas empresas em que trabalhei aqui. Do tipo, poder entrar às 7h30 para sair às 16h00, ou algo assim.
Acontece que na empresa onde comecei a trabalhar isso não se aplica. O horário é das 9h00 às 17h30; raramente alguém chega a horas mas também é comum sairem já depois da hora.
Por outro lado, também contava que se fosse trabalhar para "tão longe" como Amsterdão, teria um lugar de estacionamento - o que também não é o caso.
Ora, isto significa que levo cerca de 1h30 para chegar ao trabalho em transportes públicos. No total, são cerca de 3 horas perdidas por dia.
E se de manhã, conseguimos entrar os 3 numa boa rotina em que nos arranjamos, tomamos pequeno-almoço e preparamos a Maria de modo a sairmos juntos de casa a tempo de deixá-la na creche e seguirmos para o trabalho, já ao fim do dia não é bem assim.
Raramente consigo chegar a casa antes das 19h30 e, muitas vezes, a Maria já está a dormir.
Esta é a parte que está a dar cabo de mim, o mal ver a Maria durante a semana, o não estar lá para brincar um pouco com ela e dar-lhe um abraço apertado e o beijo de boa noite.
Custa. Muito. E os fins-de-semana, esses, passam num piscar de olhos.
A parte boa é que esta situação está a fortalecer a relação da Maria com o Pai. Sinto-os mais cúmplices e isso é muito bom.
Enfim, obviamente que não vamos poder continuar nesta situação para sempre. Eu não aguento este horário, a este ritmo e nestas condições por muito mais tempo.
Vamos encontrar uma solução. Uma que traga mais tempo livre para passarmos em família. Uma que também me permita passar 1 ou 2 horas com a minha filha ao fim do dia, antes de ela ir dormir.
Que saudades eu tenho dela...

Sobre o novo emprego

Demorou, mas chegou.
Consegui um emprego que corresponde às minhas expectativas. É na minha área de trabalho e será um grande passo em frente na minha carreira.
Durante o tempo em que estive activamente à procura de emprego, apercebi-me de mais um exemplo da hipocrisia dos Holandeses. São muito a favor da vida familiar, sim senhor. E é uma sociedade que vê positivamente o facto de uma mulher fazer uma pausa na carreira para se dedicar aos filhos, pois sim. Mas depois às empresas não lhes agrada ver pausas superiores a 3 meses nos CV's! E isto foi-me dito directamente numa agência de recursos humanos.
Enfim, mas se calhar valeu a espera; a posição é excelente, mais uma vez numa área nova, e vou aprender imenso nesta empresa.
A posição ficou vaga pois a pessoa que a ocupava "teve uma oferta irrecusável" de outra empresa - palavras da própria.
Ora, na minha opinião já trataram de arranjar alguém para a substituir demasiado tarde. Basicamente, ia ter 7 dias para formação/hand over. Até que no 3° dia, a minha querida antecessora comunica à empresa que decidiu gozar os dias de férias que ainda não tinha tirado e que só trabalhava mais 1 dia.
E foi assim que, de repente, passei de uma espécie de formação dada por alguém que até percebia muito daquilo mas não tinha jeito nenhum para explicar as coisas e cujo sentido de organização ainda me deixava mais confusa, para uma tarde e uma manhã de um pseudo hand over, feito em cima do joelho, como nunca vi nada igual.
E eis que, no meu 5° dia na empresa, vi-me sozinha com um monte de coisas em atraso, chuva de emails a perguntar por isto e por aquilo (sim, porque para ajudar, a minha querida antecessora esteve em casa com uma gripe durante ums semana e meia mesmo antes de eu começar, pelo que tinha o trabalho todo em atraso) e completamente perdida no meio daquilo tudo.
Ao fim de quase 3 semanas, o meu dia-a-dia tem se resumido a "tapar buracos", ligar a este e àquele para tentar descobrir como se faz isto e aquele outro, tentar descobrir a quem devo ligar para obter essas informações, perder tempo a ler histórico de emails a ver se percebo o que tenho à minha frente e se evito repetir informação que já havia sido dada ou solicitada antes da minha entrada na empresa.
Sim, porque isto de não fazer parte de uma equipa torna as coisas mais complicadas nestas situações pois não podemos nos virar para o colega do lado quando temos uma dúvida, simplesmente porque ele não existe.
Mas aos poucos vou chegando lá. Não esperava certamente um regresso tão caótico ao mundo do trabalho mas lá vou aprendendo com as cabeçadas que vou dando e com o apoio de parceiros externos que têm sido solidários para com a minha actual situação e respondido a todas as minhas (infindáveis) perguntas.
Entretanto, a empresa também arranjou  uma consultora que tem vindo uma vez por semana para me dar apoio (à semelhança do que aconteceu com os meus dois antecessores na empresa).
E sim, mesmo com este começo stressante, sinto que vou gostar disto!