Saturday, 24 October 2015

Tá feito

Vendemos o carro.
Já falávamos há algum tempo em vendê-lo e comprar outro, que obrigasse a pagar menos em impostos e mais pequeno.
O nosso carro foi uma excelente compra na hora certa, comprámo-lo mesmo antes de nos mudarmos de Amsterdão para De Meern - a bagageira espaçosa deu um jeitão com as mudanças, foi o ideal para caber o carrinho da Maria que era giga-enorme e ainda cabia imensa coisa. O carro consumia pouco e era confortável ao conduzir.
Mas a verdade é que, desde que regressámos para Amsterdão, temos lhe dado pouco uso.
Para dizer a verdade, por esta altura já viamos mais o carro como uma despesa do que como uma utilidade/necessidade.
Nos últimos tempos, por exemplo, usámo-lo em meados de Setembro para ir à Bélgica, já este mês para ir buscar e deixar a Mãe e o irmão do jeitoso ao aeroporto, para ir a Utrecht no fim-de-semana passado e pouco mais do que isso. De resto, tem estado parado. Nem sequer para ir às compras pois temos tudo tão perto de casa.
Eu vou deixar a Maria à creche e vou para o trabalho de bicicleta ou de transportes públicos. O jeitoso também vai para o trabalho de transportes públicos. Se vamos dar alguma volta ao fim-de-semana, idem aspas. E estamos bem servidos de transportes públicos nesta zona!
Por isso, decidimos fazer uma experiência e cumprir apenas 50% do plano: não vamos comprar já outro carro.
Queremos dar um tempo e ver como nos saímos os 3 só de bicicletas e transportes públicos, bem ao estilo holandes ;)
E se quisermos dar um passeio maior num fim-de-semana podemos sempre alugar um carro por 1 ou 2 dias.

Wednesday, 14 October 2015

Sim, sou uma dessas

Daquelas mulheres que vêem de manhã no comboio ou no autocarro a se maquilhar.
Quando nos levantamos pela manhã, não gosto de fazer as coisas apressadas e de forma mecanizada com a Maria - gosto de ir falando e brincando com ela enquanto lhe troco a fralda e visto a roupa ou enquanto lhe preparo as papas (normalmente, o Pai faz uma coisa enquanto a Mãe já vai adiantando a outra).
Se há uns anos era do tipo de pessoa que simplesmente não falava ao acordar e que nem gostava que falassem muito comigo, que só começava a ser mais sociável um pouco depois de ter tomado o pequeno-almoço, com a Maria passei a acordar sempre com um sorriso e montes de conversa.
E aproveito todas as pequeninas oportunidades para um pouco de brincadeira ou miminhos. Claro que a maior parte dos dias já saio a correr de casa, a maldizer o tempo por não abrandar nos momentos bons.
E por isso acabo por me maquilhar no caminho para o trabalho (que é, por si, um "tempo morto" de qualquer maneira), optando por aproveitar todos os bocadinhos que tenho de manhã com a Maria - às vezes até conseguimos entrar na brincadeira os três :) E sim, aí ficamos todos atrasados mas, sinceramente, parece-me por uma boa razão!

Monday, 12 October 2015

Stereophonics live @ Paradiso

E o que e que eu faco quando passo o dia com uma enxaqueca?
Vou a um concerto dos Stereophonics, claro esta! Ou pelo menos fui ontem.
Ora, nos ja tinhamos os bilhetes comprados, ainda no balanco de aproveitar a presenca da avo da Maria. Decidi que nao ia deixar uma dor de cabeca estragar os planos. Fui, mas custou tenho que admitir. O som demasiado alto, as luzes, os assobios no final de cada musica...
Enfim, ainda nao tinha estado no Paradiso e gostei do espaco em si. E os Stereophonics sao uma boa banda para se ver ao vivo.


Sunday, 11 October 2015

Cocktails & Burgers

Ora, quisémos aproveitar que tinhamos a avó e o tio cá e decidimos sair à noite com alguns amigos (oportunidade rara já que não é fácil termos quem fique com a Maria à noite). Já andava há algum tempo para ir ao Getto, um bar gay que fica no Red Light District e, como eles próprios se descrevem: "The sort of place you could visit once or three times a week wear full leathers, dress up dress down, or bring your mom." 
Pelas reviews que encontrei os hambúrgers lá são óptimos e os coktails também. Infelizmente fizeram uma pausa nos shows de drag queens (o Getto Glam variety show) durante o Verão e ainda não os recomeçaram.
Mesmo assim, os cocktails são mesmo bons e os hambúrgueres, mesmo já tendo comido melhores, são bons e fogem um pouco ao vulgar (o meu, por exemplo era de carne de cordeiro com pistachios).
Demos uma volta pelo Red Light District e depois fomos bater ao Kings Cross, na mesma rua do Getto, para um último copo.





Friday, 9 October 2015

Do sentimento de gratidao

Acho que apenas mencionei isto aqui assim por alto mas nos temos algumas pessoas a quem estamos imensamente gratos por tudo o que fizeram por nos desde que a Maria nasceu.
Nao e apenas o facto de nos terem ajudado – porque eles vao dizer logo que nao foi nada – mas ainda mais por se terem prontificado logo a ajudar-nos, de genuina boa vontade, por vezes fazendo ate mais do que aquilo que estavamos a pedir, e em algumas situacoes quando nem estavam a gozar da melhor saude.
Isto aconteceu quando ainda estavamos em De Meern mas tambem ja depois de nos termos mudado para Amsterdao.
E hoje, ao saber que uma amiga esta novamente gravida, senti-me feliz por eles e espero ter a oportunidade de poder retribuir de alguma maneira um pouco do muito que nos deram. Nao so a ajuda de que precisavamos naquela altura mas tambem uma certa sensacao de amparo, de nao estarmos completamente isolados e por nossa conta nesta nova aventura de sermos pais num pais que nao e o nosso.

Do fundo do nosso coracao, obrigada!

Wednesday, 7 October 2015

Felicidade é...

Mas afinal, quando cheguei a Amsterdão na Quarta-feira à tarde e fui buscar a Maria à creche, ela veio logo a correr para os meus braços mal me viu, com um grande sorriso de felicidade e a repetir “Mamã”.
Enchi-a de beijos e abraços. Não queria largá-la. Estava novamente com o jeitoso e a nossa filha. Estava completa outra vez. É isto que faz sentido.

Tuesday, 6 October 2015

O que é ser Mãe e profissional ao mesmo tempo?

É ter que se ausentar numa viagem em trabalho e esconder a saudade constante.
É responder num tom muito natural e desligado quando perguntam se a filha não sente a nossa falta para não parecer o sexo fraco.
É engolir em seco o nó que passa pela garganta quando dizem que a filha está com febre e carente porque sabemos que ela só quer um miminho extra, um colo onde se aconchegar, e não podemos estar lá para lhe dar nada disso.
É ficar a saber que o Pai também está adoentado e não podermos mandar as reunões ao ar e apanhar o próximo vôo para casa para cuidarmos das pessoas mais importantes na nossa vida.
É olhar com ar embevecido para todos os bebés e crianças que passam na rua.
É não poder dar-lhe um sorriso de bom dia nem aquele abraço de boa noite.
É sentir o corpo a reclamar pela falta de abraços e beijos e colo.
É a saudade do toque, do cheiro, de ver o sorriso e ouvir a gargalhada.
É ver quando temos uma brecha na agenda para irmos ao quarto do hotel fazer uma vídeo-chamada pelo Skype.
É engolir novamente em seco ao ler as mensagens do Pai:
- mas a Maria está meio chateada contigo: hoje perguntava-lhe: "Quem vem?" e ela "Tita"
- eu dizia que era a mamã - mas ela não repetia
E eu sei que é verdade - quando o Pai passa uma ou duas noites fora em trabalho, a Maria não lhe liga logo quando ele chega; faz questão de dar a entender que está magoada com a sua ausência.
Lembro-me de ter ido a uma entrevista para um emprego onde teria que viajar com alguma regularidade para os EUA - graças a Deus não fiquei com esse emprego!
Não sou do "stay at home kind of woman" mas tenho as minhas prioridades bem definidas e a minha família continua a ser a minha prioridade.

Monday, 5 October 2015

Esta viagem não começou nada bem...

Cheguei a Berlim à hora prevista... a minha mala é que não!
Resumindo: cheguei no Sábado ao início da tarde e a minha mala só foi entregue na Segunda-feira ao fim da manhã.
Depois, logo na primeira reunião de Domingo, dei com a mão no meu copo cheio de água que se espalhou pela mesa até chegar ao portátil da pessoa com quem estava a ter a reunião - parecia que estava num daqueles filmes de comédia que nos fazem rir pelos personagens serem tão desastrados!
Bem, mas voltando à mala (ou à ausência da mesma) e apesar de estar hospedada num hotel mesmo no centro de Berlim, às 18h (quando pude procurar alguma loja aberta, após a reunião que já tinha agenda) estava tudo fechado! E no Domingo também!
No Domingo, quando liguei para a companhia aérea para saber se a minha mala já tinha aparecido e a resposta foi negativa, disseram-me num tom muito encorajador para ir comprar roupa e maquilhagem e tudo o que precisasse à vontade - ora muito obrigada! Até ia, se não tivesse o dia cheio de reuniões e tivesse tempo livre para procurar alguma loja que porventura pudesse estar aberta.
Ainda assim, consegui comprar uma t-shirt de Berlim para dormir numa souvenir shop (as únicas que estavam abertas), 2 cuecas numa loja indiana que era uma souvenir shop ao estilo das nossas "lojas dos chineses" em Portugal (lindíssimas! cheias de renda, a 1,50€ cada...) e alguns produtos de higiene pessoal no único supermercado que encontrei aberto.
Após as primeiras reuniões na Segunda-feira de manhã, assim que tive oportunidade escapuli-me até à Zara que ficava mesmo ao lado do hotel para comprar algumas peças de roupa - sim, porque andava desde Sábado com o mesmo par de calças, camisola e casaco! - quando me ligam do hotel a dizer que a minha mala tinha acabado de ser entregue. E pronto, lá se foi a renovação do vestuário à pala da KLM...

Saturday, 3 October 2015

EPCA 2015

Primeira viagem de trabalho. 5 dias e 4 noites. Primeira vez em 2 anos que a Maria vai acordar pela manhã e eu não estou em casa.
Esta semana que passou podia ter sido um pouco mais fácil. Na Quarta-feira, o jeitoso teve que ir à Suiça em trabalho e só regressou na Sexta-feira à noite. Entretanto, a Mãe e o irmão chegaram na Quinta-feira - dia negro para mim porque passei-o com uma enxaqueca e por isso não fui a melhor antitriã. E esta manhã, sou eu a ir para a Alemanha para participar na EPCA 2015 em Berlim - o grande evento anual da  European Petrochemical Association - regressando na Quarta-feira à tarde. Já no avião e ocorre-me que esqueci-me de trazer um pijama. Porreiro...



Friday, 2 October 2015

Da sensacao de impotencia

Creio que uma das piores coisas que uma Mae pode sentir, e nao estar fisicamente capacitada para cuidar dos filhos.
Isto aconteceu-me, por exemplo, quando a Maria ainda nem tinha 3 meses e fiz a penultima cirurgia ao nariz - nem podia me baixar para pegar na minha filha, se a deitava ao meu lado na cama nem podia virar-me para ela pois tive que dormir numa posicao meio sentada durante uma semana.
E acontece de cada vez que tenho uma enxaqueca (as minhas fieis companheiras), como ontem. Por muito que queira, nao consigo atender a todas as necessidades da Maria, nem mesmo quando as vezes ela so quer um pouco mais de atencao. Faco um esforco enorme por falar pacientemente com ela, para que nao se sinta frustrada nem comece uma birra - porque ai entao tudo piora.
Nao me sinto uma boa Mae nestas alturas. Alias, nao sou boa companhia para ninguem; tenho a nocao de que estou sempre de ma cara (pela dor constante na cabeca, nao por falta de boa vontade) e so quero me enfiar num quarto escuro, no silencio. Algo dificil quando temos uma crianca casa. E um parceiro a quem tambem queremos dar atencao.
E entao sinto-me impotente e imensamente triste por nao me sentir capaz de dar o melhor de mim.
Enfim, um desabafo...