Houve muita tensão e muita ansiedade no último mês e meio. O basalioma que me apareceu no nariz há cerca de 1 ano e meio, e que resultou numa cirurgia para removê-lo, voltou a aparecer - ou melhor, não foi completamente extraído.
Em meados de Janeiro, notei algo no nariz e marquei uma consulta no meu huisarts. Chegada lá, mostrei todo o historial que trouxe comigo (carta do cirurgião plástico da Madeira e resultado da biópsia que foi feita após a cirurgia). A médica examinou-me e encaminhou-me para uma consulta de dermatologia no hospital Onze Lieve Vrouwe, no dia seguinte.
Na consulta de dermatologia, fui examinada por diferentes médicas que decidiram retirar imediatamente uma amostra de tecido cutâneo para biópsia. Fui informada que demorava cerca de 2 semanas para receberem o resultado da biópsia e marcaram-me uma consulta telefónica para falar sobre o resultado da biópsia.
No dia marcado, ligaram-me do hospital informando que o resultado da biópsia confirmava as minhas suspeitas e que me recomendavam marcar uma consulta na MOHS Klinieken - aparentemente esta clínica tem um procedimento inovador e muito mais eficaz, pois é feita na altura da cirurgia uma biópsia do tecido removido que já informa se é necessário remover mais tecido ou não.
Liguei para a clínica e consegui marcar consulta para a semana seguinte, onde fui analisada por um dermatologista que me aconselhou a fazer a cirurgia o quanto antes e explicou-me o procedimento. No final da consulta, foi-me feita uma visita guiada onde me mostraram as salas de cirurgia e a sala onde ficaria a aguardar pelo resultado da(s) biópsia(s).
A cirurgia ficou marcada para hoje. Para o dia em que deveriamos estar a mudar de casa e de cidade.
Às 9h15 estava lá e fui encaminhada para a sala da cirurgia. O jeitoso ficou na sala de espera. A enfermeira era extremamente afável e esteve sempre a conversar comigo. Depois do cirurgião ter chegado, creio que tudo durou uns 15 minutos. Foi-me colocado um penso no nariz e encaminharam-me até à sala de espera onde ficámos a aguardar pelo resultado da biópsia, junto com outros pacientes na mesma situação, o que poderia demorar até cerca de 1 hora. Tinhamos café, chá e bolachinhas à nossa disposição.
Passados uns 45 minutos, creio eu, a enfermeira veio informar que a biópsia revelou que tinha sido quase tudo removido e que, em princípio, só seria necessária mais uma intervenção cirurgica. Encaminhou-me novamente para a sala de operações, nova anestesia local, e daí a pouco já estava outra vez na sala de espera com o jeitoso. Neste tempo de espera, fomos jogando xadrez pois tinha lá um tabuleiro.
Quando a enfermeira voltou, informou-nos que a segunda biópsia revelou que tinha sido tudo removido.
Voltei à sala de operações, onde o cirurgião informou-me que, como já tinha uma cicatriz no nariz da cirurgia anterior, não podia "coser" a pele já cicatrizada. Então, desta vez, a ferida ficou aberta para cicatrizar naturalmente. Foi aplicada uma pomada antibiótica na ferida (e deram-me, inclusive, um tubo de pomada nova para não ter que ir ainda à farmácia, como estava em mudanças) e colocado um penso por cima.
Saímos de lá pela hora do almoço. Fomos almoçar ao Wagamama que tem lá perto da clínica e, finalmente, respirámos de alívio.
E agradeço mais uma vez ao meu jeitoso, que tanto há 1 ano e meio como agora, apoiou-me incondicionalmente e esteve sempre ao meu lado, ajudando a suportar e ultrapassar tudo melhor...
Aproveito aqui para reforçar uma dica que nos foi dada por um casal de portugueses que já cá estão há uns 6 anos, relativamente ao sistema de saúde holandês e que já pude comprovar pela minha experiência médica neste país: a partir do momento em que passamos a ser acompanhados por um especialista, estamos em óptimas mãos! A Holanda tem excelentes especialistas, nas diversas áreas. O problema mesmo é chegar até eles, pois temos que passar pelo huisarts primeiro. Ao contrário do que acontece em Portugal, não podemos marcar uma consulta directamente com um médico especialista - primeiro temos que ir com o nosso médico de família que vai avaliar o nosso caso e, só na eventualidade deste achar que está para além das suas capacidades, somos então encaminhados para um médico da especialidade. O problema é que, pelos relatos que temos ouvido, os huisarts nem sempre acertam no diagnóstico!
A dica do tal casal português foi, suncintamente, exagerar! Exagerar na dor, na dimensão do problema. Se nos perguntarem quanto dói na escala de 1 a 10, e até acharmos que é um 6 ou 7, dizer sempre 15!
Neste caso, até posso dizer que o meu huisarts não levantou muitas questões e agiu com prontidão. Mas fica aqui a dica ;)






