Acho que ainda não o disse aqui com todas as letras mas provavelmente já devo ter deixado transparecer em posts anteriores que não estou satisfeita com o meu actual emprego.
Não pelo trabalho em si ou pela empresa, mas pelo ambiente de trabalho.
Quando cá cheguei, disse a mim mesma que não ia tornar-me numa queixinhas: afinal, a escolha de vir para cá foi minha. Mas este blog é, essencialmente, para partilhar a minha experiência em terras holandesas, por isso cá vai.
O meu primeiro emprego na Holanda foi numa empresa internacional onde os holandeses que lá trabalhavam eram uma minoria. No meio de tantas nacionalidades, o inglês era a língua de eleição e nunca, em circunstância alguma, senti-me posta de parte por não falar holandês. Acho que foi um óptimo primeiro emprego: tinha acabado de chegar à Holanda, foi na Primavera/Verão, estava a apaixonar-me pelo país!
Até que chegou o Outono/Inverno... em todos os sentidos. Na actual empresa (que também se diz internacional), os funcionários que estão no piso onde trabalho são maioritariamente holandeses - e os que não o são, já estão há muitos anos na Holanda por isso falam/entendem bem o holandês.
Tem ainda o facto de que, pela primeira vez em vários anos, não trabalho num ambiente open space - estamos agrupados em 3 a 4 por gabinete.
Ora, estas novas circunstâncias foram suficientes para, logo de início, ter percebido porque é que os outros expats falavam tão mal dos holandeses!
Tirando algumas excepções (graças a Deus conheco excepções, tanto dentro do escritório como fora), acho-os arrogantes. E escondem-se atrás da desculpa de que os holandeses são frontais e dizem logo de caras o que lhes passa pela cabeça como se isso lhes desse o direito de chegarem a ser estúpidos para com os outros.
Para além de alguns desentendimentos com uma colega de trabalho, o que mais me incomoda é o facto de não quererem dar-se à maçada de falar em inglês quando estou presente por entenderem que devo aprender a língua deles. Até mesmo quando estamos sentados à mesma mesa a almoçar na cantina, a conversa é em holandês. Digo algo em inglês, a conversa recomeça em inglês por uns minutos mas dai a pouco já continua em holandês novamente (uma vez, até decidi fazer uma experiência ao almoço e insistir em falar a inglês a ver se os vencia pela exaustão... mas foram eles que venceram pois à 3ª ou 4ª tentativa já estava farta daquilo). Volta e meia perguntam-me (inclusive o meu director e supervisora) como vai a minha aprendizagem do holandês e colegas já me perguntaram se deviam passar a falar comigo apenas em holandês para que eu vá aprendendo mais rápido (!).
Esta pressão, totalmente desnessária pois não preciso de falar holandês para desempenhar as minhas funções, é irritante e desgastante. E não é que não queira aprender a língua - desisti do curso que iniciei em Outubro mas não desisti de aprender holandês - apenas vou fazê-lo quando me der na real gana e não por estar a ser pressionada!
Enfim, os meus planos eram para começar a procurar outro emprego logo no início deste ano, desta vez numa empresa que fosse (mesmo) internacional mas por força das circunstâncias vou continuar por aqui por mais uns tempos. Não é tudo mau; é apenas este "pormenorzinho" que esforço-me por ignorar, apesar de passar aqui a maior parte do meu dia.