Hoje é o 1º dia oficial da Maria na creche.
Sempre pensei que a adaptação da Maria na creche seria super-fácil. A miúda adora bebés e outras crianças e é muito sociável.
Ela costuma ficar com uma gastouder desde os 3 meses e a Maria adora ficar lá! Fica logo contente quando lhe pergunto se quer ir a casa da oma Hennie e quando a vou buscar costuma estar toda entretida a brincar com os outros miúdos.
Porém, a gastouder tem 2 inconvenientes: primeiro, não é uma gastouder registada por isso não podemos nos receber o apoio do Estado; por outro lado, preciso do carro para ir deixar a Maria à oma Hennie enquanto a creche fica mesmo ao fim da rua.
Ora então inscrevemos a Maria numa das 3 creches que temos aqui perto. E já o deviamos ter feito mais cedo - lá pelos 9 meses, na minha opinião.
Acontece que na oma Hennie, a Maria é o centro das atenções: é a "bebé" da casa e, embora as outras crianças sejam mais velhas, adoram brincar com a Maria.
Um pouco como em casa, onde tem sempre a atenção da Mãe.
Na creche já não é bem assim. O que acredito que será bom a longo prazo, espero que lhe traga mais independência e segurança, mas também será mais difícil incialmente.
Na semana passada, foi a adaptação à creche: passou lá 2 horas na 4ª feira de manhã e mais 4 horas na 6ª feira.
Ora eu saí de lá toda confiante e feliz da vida na 4ª feira - Maria ficou entretida com os brinquedos e eu tinha a certeza que ela ia adorar ter tantos meninos para brincar. Enganei-me redondamente. Quando a fui buscar, deparei com uma Maria sentada sozinha à mesa, de chucha na boca, triste, lágrimas nos olhos, ainda a soluçar. Tinha passado claramente a maior parte do tempo a chorar. As educadoras disseram que olhava muito à volta enquanto chorava (obviamente à minha procura...). Regressei a casa com o coração destroçado.
Na 6ª feira, lá fui deixá-la novamente e, desta vez, ela viu-me a sair da sala. Acenei com a mão e mandei-lhe beijinhos. Maria acenava com a mão enquanto chorava e me estendia os braços. Lá fui novamente cabisbaixa no caminho para casa. Pedi às educadoras que me ligassem se ela não parasse de chorar - afinal, a ideia era a miúda se divertir um bocado e não passar lá 4 horas a chorar. Ligaram-me umas 2h30 depois, a dizer que a Maria já tinha acalmado um pouco... Quando a fui buscar, não estava a chorar mas também não estava a brincar com os outros meninos - e os olhos brilharam, a boca sorriu e os braços abriram-se quando me viu.
O jeitoso diz que está a custar mais a mim do que à Maria. Eu não sei. Sei que eventualmente ela irá se habituar e divertir-se na creche e provavelmente até haverão dias em que não vai querer vir embora para casa. Não sou idiota. Mas acho que Mãe tem um sensor qualquer no cérebro que dispara em tom de alarme sempre que houve o choro da sua cria e sente que tem que fazer alguma coisa, que é seu dever protegê-la e acarinhá-la.
Enfim, só me resta esperar que esta fase da adaptação seja rápida e que logo, logo eu vá buscar à creche uma Maria sorridente.





















