Pois é, 3 semanas na creche e foi o suficiente para perceber que não queria a Maria lá.
Chamem-me mãe-galinha, mas se há coisa que aprendi desde que a Maria nasceu foi, no meio da minha inexperiência, a seguir o meu instinto. E o meu instinto dizia-me que aquele lugar não era o melhor para a minha filha e que ela não era feliz ali.
Certamente que ela acabaria por se adaptar e se habituar mas não era essa a intenção. Para mim, a creche não é um sítio onde se "largam" os putos para podermos ir à nossa vida. Deve ser, antes do mais, uma segunda casa para a criança, um lugar onde ela se sinta segura e feliz. E não era isso o que estava a acontecer.
Durante o primeiro mês, era eu quem ia pô-la à creche. A Maria ficava sempre a chorar, acenando, enquanto me via a ir embora. Quando ia buscá-la, os olhos brilhavam mal me via e corria para mim de braços abertos. Reparei várias vezes que, enquanto falava com uma das educadoras para saber da evolução da Maria, podia estar outro bebé ou outra criança "a chorar baba e ranho" que a educadora simplesmente o/a ignorava enquanto estivesse a falar comigo - isto deixou-me indignada. Além do mais, se ignoravam o apelo das outras crianças, a Maria não devia ser excepção. Noutra ocasião, percebi que o método deles para porem os miúdos a dormir consistia em pô-los num quarto, no berço, apagar a luz e vir embora. Deixá-los chorar durante 10 minutos antes de ir ao quarto. Voltar a deixá-los chorar mais 10 minutos a ver se adormeciam e só então tirá-los do quarto caso não adormecessem. Também não foi para isto que pus a minha filha na creche. Estes e outros pequenos detalhes que ia observando aqui e acolá fizeram-nos tomar a decisão, ao fim de 1 mês, de mudar a Maria de creche. Por motivos contractuais, ela teve que lá ficar por mais umas 3 semanas, até meados de Janeiro.
Então, desde o final de Dezembro passou a ser o Pai a ir deixá-la à creche e, embora ficasse triste quando ele ia embora, Maria deixou de ficar a chorar (obrigada pela dica, Bruno ;)
Entretanto, já começou no período de adaptação na nova creche que fica quase ao lado da outra. E a diferença salta a olhos vistos!
Choro? Apenas houve algum durante uns 10 minutos no primeiro dia.
Hoje foi o segundo dia. Quando fui buscá-la, entrei na sala, a Maria olhou para mim e simplesmente continuou a brincar. Falei um pouco com a educadora e depois fui eu que tive que atravessar a sala e ir ter com ela, dizer-lhe que estava na hora de irmos para casa. Já no corredor, quando ia vestir-lhe o casaco, deu meia volta e correu para a porta da sala - obviamente que queria ficar lá em vez de vir para casa!
Hoje, o meu coração de Mãe suspirou de alívio. Hoje tive a confirmação de que tomámos a decisão certa. Ao fim de 2 dias vejo este tipo de comportamento na Maria e fico feliz - algo que não vi ao fim de 1 mês e meio na outra creche.