Sunday, 12 April 2015

I don't know how WE do it!...

Há um filme com a Sarah Jessica Parker que passa de vez em quando na TV: I don't know how she does it.
Basicamente é sobre uma mulher, casada e com 2 filhos, que tem uma profissão que lhe exige muito tempo e de como ela tenta se dividir entre a carreira e a família de modo a conseguir conciliar ambos.
Ora, tenho a confessar que, às vezes, dou por mim a pensar que nem sei como é que nós conseguimos!
Se já não era pêra doce criarmos um filho sozinhos enquanto eu não estava a trabalhar, agora começo a achar que devemos ter super-poderes que nós próprios desconhecemos.
É uma correria desenfreada todos os dias; uma logística bem planeada; uma rotina já estabelecida; uma ginástica aos fins-de-semana para esticar aquelas 48 horas ao máximo de modo a conseguirmos ter um bocadinho de vida social, passarmos algum tempo em família sem pressas, ida ao supermercado, arrumar a casa e, às vezes, temos a sorte de conseguirmos descansar um bocadinho; e tentamos nos socorrer da ajuda de amigos em caso de S.O.S. e rezar para que tudo corra bem.
Porque não há cá mais ninguém. Se a Maria adoece, se ligam da creche porque ela não está bem e é preciso ir buscá-la mais cedo, se um de nós tem que se ausentar por motivos profissionais, se um de nós adoece, ou até se apenas estamos hiper-mega-exaustos e só estamos mesmo a precisar de uma tarde ao fim-de-semana para descansar e recuperar as energias... enfim, não há avós, nem tios, nem primos que nos possam dar uma ajuda.
Mas ainda assim temos conseguido, sabe lá Deus como, e a nossa Maria já vai a caminho dos 2 anos, linda, saudável, carinhosa e feliz :)
Muito temos a agradecer aos amigos (vocês sabem quem são) por se terem oferecido para nos ajudar em caso de necessidade ou por terem reajustado a agenda de modo a poderem responder ao nosso grito por socorro.

Saturday, 11 April 2015

Só para que saibam...

... andámos pela primeira vez com a Maria na bicicleta, ninguém foi bater ao chão e a miúda saiu ilesa desta aventura, sem um único arranhão! Uffaaa.......

Tuesday, 7 April 2015

Páscoa

Fim-de-semana de 4 dias. Supostamente para descansarmos. Mas, de alguma maneira, o descanso acaba sempre por passar de objectivo prioritário para o final da lista.
Mas cá nos arranjamos. Deu para tratar de alguns assuntos urgentes; eu e o jeitoso tivémos tempo para nós; reencontrámos amigos; passámos tempo de qualidade em família; almoçarada no Domingo de Páscoa entre amigos...






Ah, e ontem adquirimos finalmente uma Moederfiets com o assento à frente para a Maria! (Oh dear...) Ainda não a estreei estreámos, eu e a Maria, mas só me vêm à mente tombos e joelhos esfolados e cabeças rachadas quando penso nisso! Mas lá terá que ser - quando em Roma, sê Romano... e quando na Holanda, vais andar de bicicleta com o teu filho nela e ponto final.

Thursday, 19 March 2015

19 de Março

Se não tivesse um lembrete no telemóvel, acho que não me teria lembrado que hoje é o Dia do Pai.
Na Holanda celebra-se em Junho e é essa data que agora tenho em mente. Devido à Maria. Porque será a data que ela vai conhecer, em que fará desenhos e  afins na creche para oferecer ao Pai.
O 19 de Março tenho que manter em mente só para minha referência, para ligar ao meu Pai e dar-lhe um Olá especial.
Ah, e também faz hoje 3 anos que me mudei para a Holanda.
Uau, tanta coisa que já aconteceu em 3 anos! Pelo meio conta-se 2 moradas em cidades diferentes, 3 empregos, 4 cirurgias ao nariz, 1 filha, 2 bicicletas (1 roubada). Visitas de família e amigos... já perdi a conta!
Parece-me um balanço positivo :)

Wednesday, 4 March 2015

Mãe e profissional

Eu tinha um plano para quando voltasse a trabalhar. Um plano baseado na suposição de que, nesta empresa, também seriam flexíveis com o horário de trabalho, à semelhança do que acontecia nas outras duas empresas em que trabalhei aqui. Do tipo, poder entrar às 7h30 para sair às 16h00, ou algo assim.
Acontece que na empresa onde comecei a trabalhar isso não se aplica. O horário é das 9h00 às 17h30; raramente alguém chega a horas mas também é comum sairem já depois da hora.
Por outro lado, também contava que se fosse trabalhar para "tão longe" como Amsterdão, teria um lugar de estacionamento - o que também não é o caso.
Ora, isto significa que levo cerca de 1h30 para chegar ao trabalho em transportes públicos. No total, são cerca de 3 horas perdidas por dia.
E se de manhã, conseguimos entrar os 3 numa boa rotina em que nos arranjamos, tomamos pequeno-almoço e preparamos a Maria de modo a sairmos juntos de casa a tempo de deixá-la na creche e seguirmos para o trabalho, já ao fim do dia não é bem assim.
Raramente consigo chegar a casa antes das 19h30 e, muitas vezes, a Maria já está a dormir.
Esta é a parte que está a dar cabo de mim, o mal ver a Maria durante a semana, o não estar lá para brincar um pouco com ela e dar-lhe um abraço apertado e o beijo de boa noite.
Custa. Muito. E os fins-de-semana, esses, passam num piscar de olhos.
A parte boa é que esta situação está a fortalecer a relação da Maria com o Pai. Sinto-os mais cúmplices e isso é muito bom.
Enfim, obviamente que não vamos poder continuar nesta situação para sempre. Eu não aguento este horário, a este ritmo e nestas condições por muito mais tempo.
Vamos encontrar uma solução. Uma que traga mais tempo livre para passarmos em família. Uma que também me permita passar 1 ou 2 horas com a minha filha ao fim do dia, antes de ela ir dormir.
Que saudades eu tenho dela...

Sobre o novo emprego

Demorou, mas chegou.
Consegui um emprego que corresponde às minhas expectativas. É na minha área de trabalho e será um grande passo em frente na minha carreira.
Durante o tempo em que estive activamente à procura de emprego, apercebi-me de mais um exemplo da hipocrisia dos Holandeses. São muito a favor da vida familiar, sim senhor. E é uma sociedade que vê positivamente o facto de uma mulher fazer uma pausa na carreira para se dedicar aos filhos, pois sim. Mas depois às empresas não lhes agrada ver pausas superiores a 3 meses nos CV's! E isto foi-me dito directamente numa agência de recursos humanos.
Enfim, mas se calhar valeu a espera; a posição é excelente, mais uma vez numa área nova, e vou aprender imenso nesta empresa.
A posição ficou vaga pois a pessoa que a ocupava "teve uma oferta irrecusável" de outra empresa - palavras da própria.
Ora, na minha opinião já trataram de arranjar alguém para a substituir demasiado tarde. Basicamente, ia ter 7 dias para formação/hand over. Até que no 3° dia, a minha querida antecessora comunica à empresa que decidiu gozar os dias de férias que ainda não tinha tirado e que só trabalhava mais 1 dia.
E foi assim que, de repente, passei de uma espécie de formação dada por alguém que até percebia muito daquilo mas não tinha jeito nenhum para explicar as coisas e cujo sentido de organização ainda me deixava mais confusa, para uma tarde e uma manhã de um pseudo hand over, feito em cima do joelho, como nunca vi nada igual.
E eis que, no meu 5° dia na empresa, vi-me sozinha com um monte de coisas em atraso, chuva de emails a perguntar por isto e por aquilo (sim, porque para ajudar, a minha querida antecessora esteve em casa com uma gripe durante ums semana e meia mesmo antes de eu começar, pelo que tinha o trabalho todo em atraso) e completamente perdida no meio daquilo tudo.
Ao fim de quase 3 semanas, o meu dia-a-dia tem se resumido a "tapar buracos", ligar a este e àquele para tentar descobrir como se faz isto e aquele outro, tentar descobrir a quem devo ligar para obter essas informações, perder tempo a ler histórico de emails a ver se percebo o que tenho à minha frente e se evito repetir informação que já havia sido dada ou solicitada antes da minha entrada na empresa.
Sim, porque isto de não fazer parte de uma equipa torna as coisas mais complicadas nestas situações pois não podemos nos virar para o colega do lado quando temos uma dúvida, simplesmente porque ele não existe.
Mas aos poucos vou chegando lá. Não esperava certamente um regresso tão caótico ao mundo do trabalho mas lá vou aprendendo com as cabeçadas que vou dando e com o apoio de parceiros externos que têm sido solidários para com a minha actual situação e respondido a todas as minhas (infindáveis) perguntas.
Entretanto, a empresa também arranjou  uma consultora que tem vindo uma vez por semana para me dar apoio (à semelhança do que aconteceu com os meus dois antecessores na empresa).
E sim, mesmo com este começo stressante, sinto que vou gostar disto!

Friday, 27 February 2015

Birthday drinks and pie

Ora como o dia do meu aniversário callhou numa 3° feira, pensei em reunir alguns amigos para comemorar.
Para mim, o melhor dos aniversários, é reunir família e amigos para celebrarmos juntos esse dia. Nem sempre tem sido possível. Dadas as circunstâncias, a família não pode estar presente. Mas os amigos sim :)
E este ano, com a correria causada pelo regresso ao trabalho, optei por reunir os amigos mais chegados no Buurten in de fabriek pois não houve tempo para preparar nada em casa.
Acontece que aquela virose maldita ainda anda por aí a atacar forte e feio o estomago e entranhas do pessoal! Resultado, metade das pessoas estava doente ou tinha os filhos doentes e não pode comparecer.
Foi então a outra metade que estava "saudável" e passámos uma tarde bem agradável na conversa, entre cervejas, café e tartes (aparentemente o cheesecake ali é qualquer coisa divinal e todos ficaram fãs).
Tinha escolhido aquele local especialmente porque em princípio vinham várias crianças/bebés e ali tinham uma área infantil bem agradável para os putos não se aborrecerem. A Maria gostou :)
Obrigada a todos os que vieram, tendo vindo de longe só para passarmos aquele bocadinho juntos - foi muito bom mesmo!
E espero que entretanto o resto do pessoal já esteja recuperado (pelas notícias que tenho recebido, vão recuperando lentamente) e fiquem a saber que a vossa ausência foi sentida.




And some of "Maria's moments" :)

Thursday, 26 February 2015

Os Holandeses e as regras

Com esta coisa de voltar a viajar de comboio, tenho tido a oportunidade de voltar a observar comportamentos típicos dos holandeses que já havia esquecido.
Como a fixação com as regras
Às vezes viajo, por mero acaso, na carruagem no comboio que diz "Silêncio". E quando os holandeses dizem "silêncio", é mesmo isso.
Nada de falar ao telemóvel naquela carruagem, nem de conversar com a amiga do lado, nem de estar a ouvir música muito alta com os headphones. É que aí começam os olhares recriminadores; e lançam um primeiro olhar, e um segundo já mais zangado, e um terceiro já possessos, até que se segue um "shhhhh" ou um dedo acusador a apontar para a palavra "Silêncio" escrita nas janelas da carruagem ou até podem sair umas palavras menos simpáticas.
Ah, e isto vindo de pessoas que estão a ouvir a sua musiquinha com heaphones também... mas aparentemente, até o bater das asas de uma mosca seria capaz de incomodá-las naquela carruagem. Porque lá diz "Silêncio". E as regras são para serem respeitadas!


Tuesday, 24 February 2015

Happy birthday Angela!

Bem, só posso dizer que já tive aniversários melhores...
Para além de ter passado o dia todo a trabalhar, parece que anda aí uma virose qualquer que me apanhou hoje e passei o dia indisposta.
O melhor do dia foi mesmo ter recebido esta flores do jeitoso e da Maria - sim, também foi prenda da Maria pois, pelo que me constou, foi ela que as escolheu (parece que a borboleta foi um factor determinante na escolha!).


Monday, 9 February 2015

Sobre ser Mãe a tempo inteiro

Este primeiro ano em casa com a Maria foi uma benção e, ao mesmo tempo, das coisas mais exigentes que já fiz na minha vida.
O meu contracto de trabalho na empresa onde estava a trabalhar antes da Maria nascer terminou pela altura em que entrei em licença de maternidade. Aqui na Holanda, a licença de maternidade é de cerca de 3 meses. Com um membro da equipa a sair e outro de baixa, contactaram-me ao fim desse tempo para saber se estava interessada em voltar para a equipa já que iam ter que contractar alguém. Ora, eu não fui capaz de colocar a minha bebé - tão pequenina, tão indefesa, ainda a sofrer com tantas cólicas - assim, de repente, o dia todo, 4 ou 5 dias por semana, num infantário. Na altura, era algo completamente inconcebível para mim. E também estava a sentir-me tentada pela ideia de ficar com a Maria durante o primeiro ano - algo perfeitamente normal aqui e aceitável pelas entidades patronais, nenhuma mulher fica "mal vista" por fazer uma pausa na carreira profissional de modo a poder dedicar-se aos seus filhos.
Acho que foi só aos 5 meses que pudémos dizer que estávamos finalmente livres das malditas cólicas. Por essa altura também fizémos 2 viagens em família, pelo que foi apenas a partir dos 6 meses da Maria que comecei lentamente à procura de novo emprego. Estávamos em Março.
Apesar do que os Holandeses dizem, continuo a achar que existem muitas ofertas de trabalho, incluindo na minha área. Contudo, vi-me muito limitada na minha procura de emprego pois muitas das empresas exigiam conhecimento da língua holandesa, a par do inglês. Os meus conhecimentos de holandês são muito básicos pelo que nem me candidatava a essas ofertas de emprego.
Por outro lado, estar sentada em frente ao pc à procura de emprego com uma bebé em casa é uma tarefa ingrata. Muitas vezes tive que desistir porque a Maria queria atenção ou brincadeira ou porque tinha uma fralda para mudar ou estava na hora de comer. À noite, quando ela já dormia, estava demasiado cansada para me concentrar em frente ao pc - e também queria passar algum tempo de qualidade com o jeitoso ao fim do dia.
Depois, havia sempre as chamadas perdidas para discutir o meu cv, falar sobre uma determinada posição a que me tinha candidatado ou marcar uma entrevista pois achavam de me ligar justamente quando estava a adormecer a Maria ou a trocar-lhe a fralda ou lá o que fosse. Ah, e também houve entrevistas inciais ao telefone com a Maria ao colo, por vezes choramingona - o que vale é que, como já disse anteriormente, as pessoas aqui são muito compreensíveis e muito a favor da vida familiar.
Foi quando a Maria tinha uns 9 meses que senti que estava na altura de pô-la numa creche. A Maria adora bebés e outras crianças e via que ela estava a precisar dessa interacção. Tinhamos decidido que a Maria apenas iria para a creche quando eu encontrasse um emprego. As creches são absurdamente caras na Holanda, tornando-se muito mais acessíveis quando recebemos o apoio do Estado - mas para isso, a informação que eu tinha na altura era de que ambos os pais têm que estar a trabalhar pois o Estado Holandês entende que, se um dos pais está em casa a tempo inteiro, não existe uma real necessidade de colocar o(s) filho(s) na creche (o que mais tarde vim a descobrir que não é bem assim).
Entretando, a Maria costumava ficar cerca de uma vez por semana com uma gastouder - a oma Hennie - tendo passado a ficar menos vezes durante o Verão pois tivémos quase sempre companhia de família e amigos.
E eu continuava com a minha procura de emprego, ia a entrevistas com alguma regularidade, mas ainda nada.
Entretanto tivémos conhecimento de que, mesmo estando em casa, tinha direito a algum apoio do Estado para a Maria ir à creche e foi assim que, em Dezembro, ela passou a ir duas manhãs por semana. Era o tempo que eu aproveitava para me dedicar a enviar CV's e/ou ir a entrevistas de emprego.
Mas voltando à questão de ser Mãe a tempo inteiro, foi sem dúvida fantástico poder acompanhar o crescimento e desenvolvimento da Maria durante mais de 1 ano. Penso que em Portugal não poderia dar-me a este "luxo".
Mas também foi super exigente, tanto física como psicologicamente.
Aqueles primeiros meses em que lutámos contra as cólicas e em que passava a maior parte do dia e da noite com a Maria ao colo, a chorar e a se contorcer com aquela dores violentas, deram cabo de mim fisicamente. Também nunca mais consegui recuperar o sono perdido. Aliás, para nós não houve descanso. Não havia a possibildade de a Maria passar uma tarde com os avós ou tios ao fim-de-semana para podermos descansar, para dormirmos uma horas, para irmos jantar juntos - enfim, o que fosse.
Sabiamos que não ia ser fácil quando decidimos ter um bebé longe da família mas penso que nunca pensámos que seria tão exigente.
Costumo dizer que o meu estado normal agora é "cansada". É como me sinto. O tempo todo. Mesmo quando acordo de manhã. Às vezes sinto-me exausta, outras vezes estou "só" cansada.
E com o passar do tempo, as minhas conversas começaram a incidir maioritariamente sobre a Maria e assuntos relacionados com a bebés. E até havia muito assunto de conversa pois a maioria dos nossos amigos também tem bebés. Até que um dia, quando fomos almoçar com um casal de amigos que ainda não tem filhos, e enquanto eles e o jeitoso falavam sobre trabalho e afins, senti que já não sabia ter uma conversa "normal" por muito tempo com outros adultos, sem falar da Maria... e afins.
E repito, sublinho, enfatizo que me sinto abençoada por ter tido a possibildade de ficar em casa com a Maria durante tanto tempo mas não sou, decididamente, do "stay at home type of Mom".
Hoje recebi uma notícia que aguardava há algum tempo - tenho emprego!
Sei que vai custar inicialmente, mas espero de alguma maneira tornar-me ainda numa melhor Mãe quando começar a trabalhar.

Tuesday, 3 February 2015

De vaidosa a teimosa...

Que a minha filha é vaidosa, isso eu descobri cedo. Agora, não esperava começar tão cedo a típica discussão do "Queres vestir isso mas não fica bem com essa roupa!"
E adivinhem quem ganhou esta manhã, a poucos dias de completar 1 ano e 5 meses? A Maria, claro está.
Hoje tinha pensado num look menos girly para a Maria - sim, porque há dias em que já não posso ver côr-de-rosa à minha frente - quando ela tira esta camisola da gaveta... e não queria nem ouvir falar da camisola que lhe tinha escolhido. É que nem houve margem para distraí-la e enganá-la negociação senão já ia começar a manhã com alta birra.
E assim vesti-lhe a camisola que ela queria e voltei a guardar a que eu tinha escolhido sem piar...


Ah, depois não aguentei vê-la assim e acabei por lhe mudar as calças...

Wednesday, 28 January 2015

É preciso libertar as mães!

É preciso libertar as mães das teorias. É preciso libertar as mães das tabelas com horas. Das aplicações de telemóvel que apitam a avisar que é hora do bebé comer. Ou de mudar a fralda. Ou de dormir. É preciso libertar as mães dos palpites e conselhos que as fragilizam. Dos “especialistas” e seus métodos “infalíveis”. De todos aqueles que paternalisticamente lhes dizem, ainda que mais ou menos subtilmente, que estão a fazer tudo mal.

É preciso libertar as mães da pressão de que têm que saber logo tudo. Ou que têm que acertar à primeira.

É preciso libertar as mães da ideia de que os seus bebés não sabem nada. De que precisam de ser orientados em tudo. De que os bebés não sabem o que é melhor para eles.

- Os bebés sabem sim o que é melhor para eles. E o melhor para eles em quase todas as situações é estar junto à mãe. Por isso o pedem.

- É preciso libertar as mães da ideia de que o bebé precisa de “aprender a dormir”. Ou a “autoconsolar-se”. Ou que é preciso incentivar o bebé a ser autónomo mal sai da barriga.

Sim, o bebé será autónomo um dia.
Provavelmente no dia em que deixará também de ser isso mesmo: um bebé.

(e esse tempo chega tantas vezes rápido demais)

Mas, para já, este é o tempo para estarem juntos. Os bebés humanos não são, por determinação biológica, autónomos. Eles precisam das mães.

- Há muitos motivos para ser assim. Entre eles conta-se a sobrevivência da espécie. Mas falaremos melhor sobre isso noutra ocasião.

Para já, é preciso dizer às mães que os bebés precisam delas porque é mesmo assim. Não porque a mãe esteja a fazer algo de errado. E é preciso libertar as mães do medo dos “vícios e das manhas” para que o colo que o bebé lhes pede não lhes pareça uma prisão.

É preciso libertar as mães de quem acha, mais ou menos dissimuladamente, que os bebés são pequenos seres manipuladores. É preciso libertar as mães da pressão “para não ceder”. É preciso libertar as mães da ideia de que um choro de fome é mais importante que um choro assustado que pede colo ou aconchego no meio da noite.

E é preciso.. não… é urgente libertar as mães da desconfiança para com os seus bebés. Porque ninguém se apaixona desconfiando.

Porque no fundo, o que é preciso é libertar o coração das mães.

Só assim, sem medos nem reservas, o coração das mães poderá ser tão inocente como o coração dos seus bebés.

Então depois, depois de libertarmos o coração das mães, é preciso libertar-lhes os braços. Libertá-los das tarefas domésticas que possam ser feitas por outros. Libertá-los da pilha de roupa para engomar. Libertá-los das visitas que esperam lanche.

Libertar os braços das mães é urgente.
Porque se os braços das mães estiverem libertos, elas terão muito mais vontade de os colocar em volta dos seus bebés.

E o olhar das mães. Também é preciso libertá-lo porque, para que tudo melhore, as mães precisam de um olhar disponível para os seus bebés. Nenhum livro, nenhum manual de instruções, poderá alguma vez falar do nosso bebé, como nos falam os seus pezinhos, as mãos, as bolhinhas no canto da boca, as caretas quando está zangado, a testa franzida quando está a ficar com sono, os estalinhos da língua quando quer mamar ou os barulhinhos que faz enquanto dorme.

As respostas estão todas ali. É ali que devemos procurá-las.

É preciso libertar as mães.
Porque quando uma mãe é finalmente libertada de tudo o que não a ajuda a ligar-se ao seu bebé, acontece a magia.

Acontece a confiança para fazer o que se acha melhor.

Acontecem as respostas às perguntas que nos atormentam: Será que tem fome? Será que tem sono? … Será que eu vou ser capaz?

Sim as respostas chegam.
Mas só, quando, finalmente em liberdade, as mães conseguem escutar e entender a linguagem secreta entre si e os seus bebés.

E saberão que ser mãe não é uma lista de tarefas.

Não é um método.
Não são certos nem errados.

Somos nós.
Diferentes, é certo.
Com medo, por vezes.

Mas ainda assim.

Nós.

Inteiras.

Confiantes.

Nós com o nosso bebé nos braços.



Autora: Constança Ferreira – Terapeuta de Bebés e Conselheira de Aleitamento Materno OMS/Unicef
(texto tirado daqui)

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Às vezes tenho vontade de voltar atrás no tempo. Não porque ache que iria fazer tudo "perfeito" desde o início com a minha filha mas porque, sabendo o que sei hoje, iria certamente ligar menos às teorias dos peritos e fazer orelhas moucas a muito palpite e seguir ainda mais o meu instinto - esse, que vai crescendo aos poucos, conforme nós vamos crescendo como Mães também.
Ser Mãe pela primeira vez é assustador. Errar, não saber, recear, tudo isso faz parte.
Às vezes tenho vontade de voltar atrás no tempo. E segredar ao ouvido da minha filha recém-nascida, enquanto a aperto nos meus braços, junto ao peito, que a Mãe vai prestar atenção a tudo o que ela tiver para me ensinar e que vamos ficar bem, juntas.

Sunday, 25 January 2015

Shizen - sushi com amigos num dia de Inverno

Ontem fomos almoçar ao Shizen com um casal de amigos.
Foi um mimo ver a Maria e a bebé deles a darem as mãozinhas, a Maria a passar-lhe a mão no cabelinho, a encostar a cabecinha nela :) Mesmo estando ambas meio adoentadas, com tosse e montes de ranhoca, estavam bem dispostas e via-se que estavam a gostar da presença uma da outra.
Também foi a primeira vez que a Maria provou sushi. E gostou, bem como dos feijões de soja na vagem (que eu adoro!).
A comida em si é muito boa, apenas não apreciei o tempo de espera pela próxima "rodada" dado que a clientela era pouca àquela hora (e a Maria não tem muita paciência para esperar por comida).
O preço também é acessível, especialmente para a qualidade da comida, e penso que será um lugar a voltar.

Thursday, 22 January 2015

Acesso ao blog

Iniciei este blog quando nos mudámos para Amsterdão. Sobretudo porque gosto de escrever, para que os nossos amigos pudessem "acompanhar-nos" mesmo estando longe e também para manter uma espécie de registo das nossas andanças por aqui pois sei como sou má de memória.
No entanto, agrada-me cada vez menos esta exposição das nossas vidas. Começou pelo Facebook e já tratei de apagar as minhas fotos, bem como toda a minha informação pessoal e nem sequer quero que coloquem nada no meu mural. Apenas mantenho a conta do Facebook por uma questão de conveniência, porque dá jeito de vez em quando para marcar alguma coisa em grupo com amigos e porque às vezes recorrro a alguns grupos do Facebook para pedir alguma informação relativa a algo aqui na Holanda.
E também já venho a pensar há algum tempo em fazer o mesmo com o blog. Não quero encerrá-lo mas penso que vou torná-lo privado - não me levem a mal, os amigos. Mas a verdade é que falo aqui de tudo um pouco sobre as nossas vidas (bem, não de tudo certamentente, mas de muita coisa) e não faço ideia de quem anda a ler o que escrevo e desagrada-me esta falta de privacidade e exposição sem limites, especialmente agora que temos a Maria. São fotos nossas, do local onde vivemos, alusões a lugares que frequentamos, aos nossos amigos, aos nossos hábitos e costumes.
Por isso meus amigos, se um dia destes vierem cá e depararem com uma mensagem a dizer que o blog é privado, acho que só têm que pedir permissão uma vez para que eu possa incluir o vosso email na lista de contactos permitidos.
Não levem a mal e continuem a passar por cá pois eu certamente vou continuar a seguir os blogs do costume, mesmo que a correria do dia-a-dia não me permita comentar mais vezes como gostaria.

Wednesday, 21 January 2015

Maria na nova creche

Pois é, 3 semanas na creche e foi o suficiente para perceber que não queria a Maria lá.
Chamem-me mãe-galinha, mas se há coisa que aprendi desde que a Maria nasceu foi, no meio da minha inexperiência, a seguir o meu instinto. E o meu instinto dizia-me que aquele lugar não era o melhor para a minha filha e que ela não era feliz ali.
Certamente que ela acabaria por se adaptar e se habituar mas não era essa a intenção. Para mim, a creche não é um sítio onde se "largam" os putos para podermos ir à nossa vida. Deve ser, antes do mais, uma segunda casa para a criança, um lugar onde ela se sinta segura e feliz. E não era isso o que estava a acontecer.
Durante o primeiro mês, era eu quem ia pô-la à creche. A Maria ficava sempre a chorar, acenando, enquanto me via a ir embora. Quando ia buscá-la, os olhos brilhavam mal me via e corria para mim de braços abertos. Reparei várias vezes que, enquanto falava com uma das educadoras para saber da evolução da Maria, podia estar outro bebé ou outra criança "a chorar baba e ranho" que a educadora simplesmente o/a ignorava enquanto estivesse a falar comigo - isto deixou-me indignada. Além do mais, se ignoravam o apelo das outras crianças, a Maria não devia ser excepção. Noutra ocasião, percebi que o método deles para porem os miúdos a dormir consistia em pô-los num quarto, no berço, apagar a luz e vir embora. Deixá-los chorar durante 10 minutos antes de ir ao quarto. Voltar a deixá-los chorar mais 10 minutos a ver se adormeciam e só então tirá-los do quarto caso não adormecessem. Também não foi para isto que pus a minha filha na creche. Estes e outros pequenos detalhes que ia observando aqui e acolá fizeram-nos tomar a decisão, ao fim de 1 mês, de mudar a Maria de creche. Por motivos contractuais, ela teve que lá ficar por mais umas 3 semanas, até meados de Janeiro.
Então, desde o final de Dezembro passou a ser o Pai a ir deixá-la à creche e, embora ficasse triste quando ele ia embora, Maria deixou de ficar a chorar (obrigada pela dica, Bruno ;)
Entretanto, já começou no período de adaptação na nova creche que fica quase ao lado da outra. E a diferença salta a olhos vistos!
Choro? Apenas houve algum durante uns 10 minutos no primeiro dia.
Hoje foi o segundo dia. Quando fui buscá-la, entrei na sala, a Maria olhou para mim e simplesmente continuou a brincar. Falei um pouco com a educadora e depois fui eu que tive que atravessar a sala e ir ter com ela, dizer-lhe que estava na hora de irmos para casa. Já no corredor, quando ia vestir-lhe o casaco, deu meia volta e correu para a porta da sala - obviamente que queria ficar lá em vez de vir para casa!
Hoje, o meu coração de Mãe suspirou de alívio. Hoje tive a confirmação de que tomámos a decisão certa. Ao fim de 2 dias vejo este tipo de comportamento na Maria e fico feliz - algo que não vi ao fim de 1 mês e meio na outra creche.

Tuesday, 13 January 2015

Maria e a TV

A Maria não é de ver televisão, pelo menos por enquanto.
Também não costumamos tê-la ligada durante o dia.
Mas um dia, há uns meses atrás, estávamos a ver músicas infantis no Youtube e deparámos com um tal de João Bebé. Aparentemente passa (ou passava) na RTP2 e a miúda ficou viciada nisso e pede mesmo para ver o João Bebé. É a única coisa que a deixa completamente estática durante um bom tempo!
Penso que começou por achar piada por se tratar de desenhos animados mas com o rosto de um bebé real mas agora acho que o personagem preferido da Maria é o Quincas, um pinguim que faz sapateado (é de rir vê-la a imitá-lo).
Para que tenham uma ideia:


Saturday, 10 January 2015

Playdate

Os playdates são muito comuns por aqui, especialmente entre a comunidade de Mamãs expats.
No fundo, são uma maneira de stay-at-home-Moms que estão num país distante de "casa" poderem socializar com outras mulheres que se encontram numa situação semelhante (geralmente mudam-se para cá devido ao trabalho do marido ou porque este é Holandês) e uma alternativa "barata" às creches para que os filhos possam brincar com outras crianças.
Muitos playdates são organizados através dos grupos para Mamãs que existem no Facebook, sendo criados mesmo grupos específicos, por localidade geográfica, para a marcação de playdates.
Ora há cerca de 1 mês decidi participar num desses encontros de Mamãs e bebés/crianças. Estava a ser organizado em casa de uma Mamã Americana que até mora perto de nós. Segundo o Google Maps, podia apanhar um autocarro e levava apenas uns 13 minutos de porta a porta. Excelente!
Bem, acontece que não foi bem assim, andei com a Maria às voltas para encontrar a casa e estava um frio de rachar pedra nessa tarde. Também acabei por não conseguir ter uma conversa do princípio ao fim com as outras Mamãs - muito simpáticas e acolhedoras apesar de não me conhecerem de parte nenhuma - porque a Maria estava mais interessada na comida que estava na mesa do que em brincar e então queria vir sempre para o meu colo. Enfim, saí de lá meio frustrada e não voltei a repetir a experiência.
Mas, no início desta semana, dei por mim a pensar que seria bom pôr a conversa em dia com algumas amigas e voltar a ver os seus rebentos, pois com as andanças do Sinterklaas e do Natal e gripe no final e início do ano já não nos viamos há demasiado tempo. Falei então com a Ana e a Ineke que moram perto e "arrisquei" perguntar à Ana e à Carolina que moram em Amsterdão, mas sem muita esperança que se deslocassem até "cá abaixo". E ainda bem que o fiz pois todas tinham disponibilidade e foi assim que organizei o primeiro playdate da Maria cá em casa e juntámos 4 Mamãs Portuguesas e 1 Holandesa, 3 bebés e 1 toddler.
E que tarde bem passada que foi! Conversa animada em Português e em Holandês, partilhavam-se experiências, tiravam-se dúvidas, davam-se dicas, enquanto se bebia chá com bolachinhas, salame de chocolate e pastéis de nata (!), os bebés divertiram-se, a Maria brincou com todos e teve muitos mimos... enfim, foi uma tarde perfeita e a repetir brevemente! :)









Tuesday, 6 January 2015

1 mês!

1 mês foi o tempo que levou a chegar à Madeira uma caixa que enviei aos meus pais com umas prendinhas para o Natal. 1 mês!!
Enviei-a no mês passado mais ou menos por esta altura. Até já a tinha dado como perdida. Curiosamente, a caixa que o jeitoso enviou para casa da Mãe, umas 2 semanas mais tarde, chegou antes da minha.
Fico meio aborrecida, não só porque gostava que a tivessem aberto no dia de Natal, mas também porque ia lá dentro uns narizes de "Rudolfo" em tom de brincadeira e mais umas coisinhas que agora já não fazem muito sentido...
Enfim, ao menos chegou - mas rásparta, que serviço merdoso!

Saturday, 3 January 2015

Por aqui...

... continuamos adoentados e com pouca ou nenhuma vontade de sair de casa ou fazer alguma coisa.
Ao menos a Maria vai se entretendo :)



Friday, 2 January 2015

Para 2015...


... já tenho o nosso frasquinho pronto para encher com as recordações boas do ano. Já queria tê-lo feito para este ano mas depois acabei por não fazê-lo.
Ah, e como podem ver, decidi exprimir a minha veia artística também!

(nada de gozar!)

E já tenho o primeiro papelinho para deitar lá para dentro: um 1º dia do ano passado em beleza entre amigos! :)